Inclusão LGBTQIA+ no mercado de trabalho: como negócios e projetos podem transformar essa realidade

Atualizado: 17 de mai. de 2021


 

Dia 17 de maio é o Dia Internacional de Luta Contra a LGBTfobia, data criada para conscientizar as pessoas sobre a luta contra discriminação e preconceito sofrido pelas pessoas da comunidade. Mas por que é importante conversarmos sobre esse tema?


Comece com perguntas!


Vamos falar sob a perspectiva de oportunidades de trabalho. Seu negócio possui pessoas abertamente LGBTQIA+? Você já participou de algum processo seletivo com uma mulher trans ou travesti? A sua colega de trabalho fala abertamente que é casada ou que namora outra mulher? Em seus projetos você já contratou um homem trans para prestar algum serviço? O seu coletivo possui alguma pessoa trans não binária? Se você respondeu não para a maioria destas perguntas, é porque a iniciativa que faz parte precisa avançar substancialmente na inclusão e diversidade!


De acordo com a pesquisa feita pelo site de recrutamento Elancers, 20% das empresas que atuam no Brasil não contratam lésbicas, bissexuais, gays, travestis e transexuais em razão da sua orientação sexual e identidade de gênero. Deste valor, 11% delas só contratariam se a pessoa não ocupasse cargos de decisão ou níveis superiores. 61% das pessoas LGBT+ empregadas escolhem esconder de colegas de trabalho a própria sexualidade, segundo o levantamento Demitindo Preconceitos da Santo Caos. Quando se trata da população trans e travestis, as dificuldades se aprofundam ainda mais, pois é comum que muitas destas tenham sido excluídas da escola desde as séries iniciais, expulsas de casa pela família ou totalmente apagadas do mercado de trabalho formal, fatos que corroboram para que 90% das pessoas trans e travestis no Brasil tenham que recorrer à prostituição, segundo a Rede Nacional de Pessoas Trans – Brasil.


O preconceito e a exclusão de pessoas que têm vivências dissidentes e práticas afetivas e sexuais que divergem dos padrões dominantes cis-heteronormativos, são situações bastante presentes e, infelizmente, comuns no mercado de trabalho. A discriminação pode acontecer no período de divulgação das vagas da empresa, na seleção e contratação das pessoas candidatas ou durante a jornada diária de trabalho.


Segundo o relatório "Empreendedorismo criativo e social no Brasil", empreendimentos sociais e criativos geram mais empregos para pessoas LGBT+ em comparação com outros setores. Esse padrão é particularmente forte entre empresas lideradas por pessoas pertencentes a grupos vulneráveis. Mas só quem faz parte de algum grupo com menores oportunidades precisa se preocupar com a inclusão e diversidade de pessoas LGBT+? A resposta é não!


Como mudar essa realidade!


É importante que os negócios, independente de seu segmento, tenham consciência de sua responsabilidade em relação à empregabilidade de pessoas LGBT+ e da possibilidade de transformar essa realidade. O trabalho é um direito de todas as pessoas e esses direitos precisam ser garantidos às lésbicas, bissexuais, gays, trans, travestis e pessoas queer.


O papel de uma iniciativa nesse contexto de discriminação no ambiente de trabalho é bastante importante. É essencial que a empresa reveja a proposta de valor de sua marca, repasse os novos valores constantemente para a equipe, realize treinamentos focados em diversidade e inclusão, disponibilize vagas que sejam atrativas e inclusivas para pessoas LGBT+, que tenha uma política de diversidade e inclusão dentro da empresa e que, se não souber por onde começar, pesquise bastante e busque profissionais especialistas em diversidade e inclusão.


Empregar pessoas LGBT+ não está relacionado apenas ao acesso e estabilidade no emprego, mas ao direito a um ambiente inclusivo onde todas as pessoas possam desenvolver integralmente seu potencial, sem discriminação ou impedimentos à carreira, com tratamento de equidade, respeito e liberdade para se expressar e ser quem é sem constrangimentos ou violências. Pensar em inclusão e diversidade dentro das iniciativas e projetos tem se tornado um caminho essencial para um mundo verdadeiramente mais justo, empático e plural!


Referências: Editora realize; Redes Trans Brasil; UNAIDS Brasil; British Council.


Camila Couto - Gestora Cultural, Cofundadora e Consultora da Cápsula Inovação

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